Monday, June 6, 2022

Entranhas de sentimentos...



Entranhas de sentimentos...

Quero em ti mergulhar

Quero em ti poder penetrar...

De forma sexual

De modo animal e maquinal...

Com a intensidade

De quem coloca um motor a carburar com velocidade...

Quero poder com adrenalina

Sentir o teu corpo em modo alcalina...

E escaldar

No nosso ato de amar...

Quero poder o teu íntimo sentir

E poder sentir o meu corpo explodir...

De desejos e vontades

Geradas e pensadas com as crueldades...

Das doces imoralidades

Aquelas que queremos...

Aquelas que não desperdiçamos

Para ao pecado nos entregarmos...

E ao patamar dos Deuses chegarmos

E definitivamente...

Nos firmarmos absolutamente

Eu sendo teu... Tu sendo minha...

Aquela que ao meu lado caminha

Aquela que conhece o meu pensar...

E sabe o suspiro que venho a soltar

Porque também te sei decifrar...

Como um Luís de Matos num ato de magicar

E sei o teu sentir...

Sei do teu reagir

A cada momento...

A cada acontecimento

Sei como vens a despertar...

E como vens ao meu ser regalar

A pureza do bem estar...

A candura no ato de partilhar

Inseguranças, sonhos, vontades e segredos...

Assim como também és sabedora dos meus medos

Porque me conheces de fio a pavio...

Porque somos intenso fio

De ligação...

Em amor, cumplicidade e paixão

Porque habitas no meu coração...

Porque és dona de toda a minha emoção

Porque também me ti me tens...

E um do outro somos reféns

No amor sem fim ou ocaso...

Naquele sentimento que não tem prazo

Porque somos no amor todos os tempos...

Porque somos na felicidade os contentamentos

Porque somos um do outro em plenos pensamentos...

Porque somos um do outro: nas entranhas dos sentimentos...

João Paulo S. Félix 

Sunday, June 5, 2022

Almas...

 


Almas...

Na plenitude esférica da terra

Povoada pela multidão do mar até à serra...

Nesta infindável dimensão

Onde encontramos aventura e missão...

Em cada dia, em cada jornada

Da nossa vida despertada...

Em suspiros

De delírios....

Nos quais lançamos ralhos

Em que os mesmos são ouvidos...

E pelo divino atendido

E do nada acontece algo a ser cumprido...

Uma trivialidade

De caminhos de cumplicidade...

Com alguém

Que nos coloca refém...

Da doce liberdade de coração

Aquela que causa a nossa exaltação...

E esse ser

Faz-nos viver...

Faz-nos forças adquirir

Para contra tudo insurgir...

E tudo subalternizar

Porque algo nos tende a superlativizar...

Um sentimento de fascinar

O sentimento de amar...

Sim:o amor que se sente

Que nos afasta da enfadonha gente...

O amor

Que causa furor...

Que nos quita toda a espécie de dor

Amor como curativo...

Para o dia intenso e combativo

Amor como reduto

E como lugar de doce fruto...

O fruto da caridade

Vivida com doce serenidade...

E com a candura do olhar

O olhar de quem nos vem a amar...

O olhar que não mente

O olhar de quem é ser sempre presente...

Mesmo que os mapas digam o seu oposto

Porque amor é sentimento que não vira o rosto...

Porque amor é sentimento de luta

Porque amor é sentimento que nada refuta...

Amor é sentimento de precisão

Que se sente e vive no coração...

E que se quer... Até à nossa humana exaustão

Amor: és sentimento que acalmas...

Amor: és sentimento que une: que une e funde almas...

João Paulo S. Félix

Vibrações...

 


Vibrações...

Quero hoje chegar ao limite

Do que a humana lei permite...

E atingir a excelência

A falar de algo inflamado de essência...

Falar de algo almejado

De algo deveras cortejado...

Um sentimento

Um contentamento...

Que cura todo e qualquer ferimento

Falar de algo que é causa de contentamento...

Falar de algo colossal

Que faz do Homem: criatura especial...

Especial e jamais trivial

Um sentimento alucinante...

Que nos convida a algo vibrante

A algo a roçar o fio da navalha...

Por algo tão altivo, e que em nós se espalha

Disseminando carga viral na sanguinária corrente...

E tal faz o olhar flamejar de tão ardente

De tão ardente devido ao ambiente...

Que se gera em redor

No sentimento de amor...

Sim... ai... Que extasiante sensação

Esta que nos engole para uma outra dimensão...

Esta sensação de sofreguidão

De querer muito para além da exaustão...

E querer à prova colocar

Os corpos e ver a dimensão a que ousam chegar...

Na cópula e na intensa penetração

Penetração corporal, verbal e na alma...

Penetração que nada acalma

E que nos transcende...

Quanta febre nesta hora

Em que o amor não demora...

Em que tudo acontece

Em que faísca luminosa aparece...

Para iluminar o mundo

O nosso de modo intenso e profundo...

Não pares agora por favor

Continua a ouvir o meu forte clamor...

De mais... De ti muito mais

Não pares no agora na hora dos mortais...

Vem de mim abusar e o meu corpo consumir

Vem-me eternamente possuir...

Porque há um sentimento para viver

Porque há vontade de não morrer...

Porque há muito para lá do planeta

O vivermos o amor que nos completa...

E viver com a força das emoções

O nosso fervilhante amor... O nosso êxtase de vibrações...

João Paulo S. Félix

Friday, June 3, 2022

Vem-me chamar...



Vem-me chamar...

Quando as trevas te atormentarem

Quando as tristezas te visitarem...

Quero que tenhas bem presente

Que não és ser em condição carente...

Que não estás a sós

Usa a tua voz...

E segue o rasto da luz

Ela para mim te conduz...

Sim: tu sabes bem como tudo se desenvolve

Porque a vontade tudo resolve...

A vontade da proximidade

O desejo da cumplicidade...

Aquele em que vivemos a sedução

E nos entregamos ao amor louco de paixão...

Quando caímos... Quando caímos em tentação

E nos prostramos na casa da suplicação...

A pedir aos deuses perdão

Pelos pecados cometidos...

Pelos ardentes e febris gemidos

Pelos arranhões...

Gravados em corpos e corações...

E suores

Feitos loucos licores...

Libertados na nossa exaltação

Porque juntos tudo almejamos...

Porque tu e eu: juntos de verdade amamos

Amamos o amor...

Esse sentimento libertador

Esse sentimento de plenitude...

Que dá paz e quietude

Amor: sentimento de imunidade...

Perante a vil e cruel sociedade

Amor: sim... falo contigo...

Contigo meu ser feito abrigo

Abrigo das minhas dores...

Abrigo dos meus clamores

Amor...

És sentido

És a fuga ao dia sofrido...

Amor: contigo tudo tem razão

Amor: contigo vivo até à exaustão...

E a teu lado

Aceito o humano fardo...

Mas assumo: algo que te tenho a dizer

Por te amar: tenho medo de morrer...

Porque contigo quero tudo viver

E tudo poder abraçar...

Sem ter o tempo ou o relógio a controlar

E novamente de digo: sempre te vou amar...

Porque quando a dúvida te turvar: meu amor... Vem-me chamar...

João Paulo S. Félix 

Wednesday, June 1, 2022

Inocência de ser...



Inocência de ser...

Hoje uma criança observei

E por ela me maravilhei...

Neste dia que é delas

Sejam de cidades ou aldeias...

Sejam do sul ou do norte

Olhei para uma e para o seu forte...

E qual é?

O ser firmeza em pé...

O ser rei sem espada

E príncipe sem farda...

O teu no olhar um brilho especial

De quem quer o mundo real...

E nele em tudo acreditar

Acreditar na palavra que se veio a vociferar...

Acreditar nas promessas dos adultos

Acreditar que vão viver uma vida sem insultos...

Acreditar também

Que vão ser como o pai com como a mãe...

Ou então como o tio doido lá de casa

Ou como os avós que os têm sempre debaixo da asa...

Criança, uma doce criatura

Que acredita num mundo ser amargura...

Que pode a bola chutar

E o melhor golo marcar...

Que pode desculpa pedir

E o mundo com essa palavra lhe sorrir...

Que pode com um abraço ser medicamento

Que cura a dor do coração e do pensamento...

Que puro é olhar tão doces pessoas

E lembrar que nós já o fomos em alturas boas...

E do nada puxo a fita ao passado

E dei por mim: a ter cada momento meu recordado...

Da minha infância de pequenez

E recordar cada momento com altivez...

Da minha infância feliz e amada

Por terras da minha Eira-Queimada...

Onde sonhava que aquele era o meu mundo

E nada mais havia, nada que fosse longínquo ou profundo...

Que bonita e doce ocasião

Em que jogar à bola era um festão...

E levantar o rosto para olhar

Para quem comigo estava a falar...

Que nostalgia

Da alegria de ouvir docemente dos pássaros a melodia...

E pensar nos beijos e abraços recebidos com doçura e calor

Que tinham, perante dinheiro, muito mais valor...

Saudades desse momento em que jamais estava a sós

Que falta sinto de ser a criança: o pequeno dos meus avós...

Que saudades de poder brincar ao fantasiar

Em que tudo se poderia passar...

Em que o relógio não existia

E a sua lei não se sentia...

Saudades de cada amanhecer

De quando era criança... De quando vivia: a inocência de ser...

João Paulo S. Félix 

Thursday, May 19, 2022

O amor decifrado...


O amor decifrado...

O que é o amor

Sim, o que será esse tremor...

Sim porque faz tremer

Sim porque faz estremecer...

Com os ciúmes

Com as saudades...

Com as humanas crueldades

Com as mundanas maldades...

O amor é imperfeito por ser perfeito

O amor é sentimento fora do conceito...

Amor não é preceito

Nem um ritual reto e direito...

O amor faz o coração pulsar

E vem vida dar...

Vem o Homem ressuscitar

Da morte da solidão...

Para a vontade de consolação

Para fugir ao estar só...

Porque amor... Amor causa um nó

De medo de quando se virar pó...

E jamais se puder estar

Com quem se veio a amar...

Mas esse medo eu afasto

E no hoje quero algo menos nefasto...

E algo doce e especial

Algo que seja real...

E sentido internamente

Um sentimento sempre presente...

Por ti ser que amo

E que por ti clamo...

E te peço aos deuses

Nos sacrários onde estão as cruzes...

As nossas das rotinas

Que são docemente aglutinadas...

Pelos gestos do que se sente

Porque amor é sentimento exigente...

Porque amor: é ser imatura perante a falta

De quem nos é tudo e nos exalta...

Amor é querer

Viver...

Sem demora

Sem hora...

O que nos une

O que nos torna imune...

Amor

Sim, tu minha flor...

Minha doce candura

Minha terna formosura...

Tu que és ser por mim desejado

Tu que és... O amor decifrado...

João Paulo S. Félix 

Tuesday, May 17, 2022

Doença incurável...

 


Doença incurável...

Na vida nada tende a acontecer

Sem se contar ou se prever...

Na vida orientada

Em que toda a incidência é planificada...

E orquestrada

Ao compasso da hora marcada...

Em que tudo é mecânico e melancólico

Criando constrangimento e cenário bucólico...

Até que somos infetados

E eternamente contagiados...

Por um vírus imortal

Que tende a se tornar memorial...

Memorial e memorável

De acontecimento de fulgor...

Originando com ardor

O amor...

Sim uma doença que ataca os humanos seres

E muda todos os seus viveres...

E todos os seus afazeres

Vidrando o pensamento...

Em quem é causa do nosso contentamento

Colocando o nosso coração refém...

De quem é incrível e lhe convém

Que sentimento este infernal...

Que vem a ficar e a ser deveras especial

Um ser altivo: uma criatura...

Dotada de esplendorosa formosura

E se o amor for loucura...

Não quero dele descobrir a cura

Porque se o amor nos deixar senis...

Quero que saibas que contigo fui feliz

Fui, sou e serei...

Porque te amo e amarei

Porque te quero e quererei...

Porque te desejo e sempre te desejarei

Porque és a diva que faz de mim um rei...

Um rei que tem o trono na paixão

Que é o teu condado de perfeição...

Porque nesta doença sentida

Que dilui a dor da vida sofrida...

Neste sentimento que nos envolve

E que do mundo nos dissolve...

Somos levados a cair

No amor... E dele não mais sair...

Porque isso não acalentamos

Porque o amor sublimamos...

E o mesmo agarramos

Para viver...

E dele nunca mais o rasto perder

Para sermos um só inseparável...

A vivermos o amor... Que é doença... Uma doença incurável...

João Paulo S. Félix